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Prestes a completar dois anos em vigor, a reforma trabalhista teve pouco impacto na geração de empregos na indústria da região de Campinas (SP). Pesquisa do Ciesp Campinas mostra que 48,39% dos entrevistados não aferiu nenhum efeito positivo com a mudança da legislação. O setor, aliás, registrou em agosto o pior desempenho para o mês dos últimos sete anos.
Realizada desde dezembro de 2018, a sondagem industrial do Ciesp questiona o empresariado sobre investimentos e projeções econômicas, e abordou pela primeira vez o impacto da reforma. Das 429 empresas em 19 municípios avaliadas, apenas 22.58% viram “efeitos muito positivos”.
Para o diretor em exercício do Ciesp Campinas, José Henrique Toledo Corrêa, o setor poderá registrar melhores resultados “à medida que ocorra a retomada do mercado”.
Economista do Observatório da PUC-Campinas, Eliane Navarro Rosandiski destaca que os fatores que influenciam contratações normalmente não estão relacionados ao custo do trabalho. “É um dentre diversos fatores, mas o principal é a demanda.”
Eliane ainda acrescentou: “Sem demanda, pode ter gente oferecendo para trabalhar de graça que o empresário não vai contratar”.
Questionada sobre os números da pesquisa, Eliane vê com preocupação a parcela de industriários que, sem verificar efeito positivo, defende a necessidade de uma nova reforma.
A economista ainda falou sobre a necessidade de nova reforma trabalhista: “Sob a ótica dessa parcela, ainda faltam coisas a serem cortadas. Alguns não querem pagar mais 13º salário, adicional de férias, uma série de coisas que ainda é considerado custo para o empresário. Ele quer reduzir ao máximo possível, tudo e qualquer custo. Mas o que ocorre é que quanto mais você flexibiliza, mais você dificulta a dinâmica de crescimento. Melhora a condição de produção, mas não encontra demanda”.
Segundo a economista, com menos dinheiro em mãos, o trabalhador não irá gerar demanda, direta ou indiretamente, e a roda da economia “não gira”.
“É um tiro no próprio pé. Economizar com trabalho significa segurar a demanda no futuro”, completa Eliane.
A regional do Ciesp em Campinas atende empresas instaladas em Águas de Lindóia, Amparo, Artur Nogueira, Conchal, Estiva Gerbi, Holambra, Hortolândia, Itapira, Jaguariúna, Lindóia, Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Paulínia, Pedreira, Santo Antônio de Posse, Serra Negra, Sumaré e Valinhos. Entre elas, há 58 multinacionais e 442 nacionais, que faturam, em média, R$ 37 bilhões por ano.
Fonte: G1.
Equipe de jornalismo Rádio Socorro: Felipe Souza e Mariana Cecilia.