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Unicamp e Boldrini desenvolvem anticorpos monoclonais com potencial terapêutico contra leucemia infantil - Rádio Socorro FM 103.1


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Unicamp e Boldrini desenvolvem anticorpos monoclonais com potencial terapêutico contra leucemia infantil

Pesquisadores da Unicamp e do Centro Infantil de Investigações Hematológicas Dr. Domingos A. Boldrini identificaram um mecanismo molecular associado à leucemia linfoblástica aguda (LLA) e desenvolveram anticorpos monoclonais com potencial terapêutico contra a doença.

A LLA é o tipo de câncer do sangue mais comum na infância e representa cerca de 75% a 80% dos casos de leucemia diagnosticados em crianças e adolescentes. Embora a taxa de cura ultrapasse 80%, parte dos pacientes não responde adequadamente ao tratamento ou apresenta recaída.

O estudo identificou que cerca de 10% dos pacientes com LLA do tipo T e 2% dos pacientes com LLA do tipo B apresentam mutações no gene responsável pelo receptor de interleucina 7, conhecido como IL-7Rα.

Segundo os pesquisadores, algumas dessas mutações fazem com que o receptor permaneça permanentemente ativado, enviando sinais que favorecem a sobrevivência e a multiplicação das células, contribuindo para o desenvolvimento da leucemia.

A partir dessa descoberta, a equipe desenvolveu anticorpos monoclonais capazes de reconhecer e se ligar ao receptor IL-7Rα presente na superfície das células leucêmicas. A estratégia pode interferir nos sinais de sobrevivência e proliferação dessas células e ainda favorecer seu reconhecimento pelo sistema imunológico.

Resultados pré-clínicos

Em testes realizados com camundongos que receberam células leucêmicas de pacientes, o tratamento com os anticorpos retardou a progressão da doença em comparação com os animais não tratados.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que o tratamento isolado não eliminou a doença. Os resultados são considerados uma etapa inicial e indicam a necessidade de novos estudos, inclusive para avaliar o uso dos anticorpos em combinação com tratamentos já existentes, como a quimioterapia.

A equipe também desenvolveu versões quimérica e humanizada dos anticorpos, uma estratégia que busca reduzir o risco de rejeição pelo organismo humano.

A tecnologia é protegida por pedido de patente depositado com estratégia da Agência de Inovação Inova Unicamp.

Próximos passos

Antes de chegar aos testes em seres humanos, a tecnologia ainda precisa passar por diversas etapas de desenvolvimento e validação. Entre elas está a criação de um sistema de produção mais estável do anticorpo e a busca por uma empresa farmacêutica ou instituição parceira para ampliar a produção e avançar no desenvolvimento.

A pesquisa já soma dez anos de estudos e reúne pesquisadores, alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado da Unicamp e do Boldrini.

Se os resultados forem confirmados nas próximas etapas, os anticorpos anti-IL-7Rα poderão, no futuro, representar uma nova possibilidade terapêutica para pacientes com LLA, especialmente aqueles que apresentam resistência ao tratamento ou recaída.

Importante: a tecnologia ainda não está disponível como tratamento para pacientes. Os resultados apresentados são de estudos pré-clínicos e ainda serão necessárias novas etapas de pesquisa antes de eventuais estudos clínicos em humanos.

Saiba mais em: https://www.inova.unicamp.br/2026/09/unicamp-e-boldrini-desenvolvem-anticorpos-monoclonais-com-potencial-terapeutico-contra-leucemia-infantil/

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